segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Feito por oito mãos e duas cabeças perversas

Veja a cereja nascendo no ramo
Cerejas artificiais provém dos pepinos
Pois esta é uma serena tarde de Agosto
E acabo de conhecer Agostino;
Tem corpo de homem, selvagem, moreno, queimado
E um rosto angelical de menino.
Apesar do sangue que encobre sua cara não deixo de apreciá-lo daqui de cima
-a décima fileira da arquibancada de um ginásio colossal-
Ele acaba de ganhar a luta para mim, e vamos comemorar mais tarde.
Vou até o vestiário, há fotógrafos no local, espirro para que ele me note, sorte que hoje estou com meu chapéu azul turquesa de tule. Agostino, você é de Quebec, luta kick-boxe-judô-jiu-jitso-capoeira, usa um calção prateado com um cinturão pouco sutil, só consigo pensar que você precisa me possuir hoje, na frente dos fotógrafos...amanhã já será setembro.
Por entre os ombros ele me percebe, primeiramente pelo chapéu, com certeza pensou: que lindo, mas manteve seu rosto duro, ainda escorrendo sangue escarlate; agora eu tenho certeza de que cultiva secretamente um gosto peculiar por exóticas roupas femininas. Planejarei de outro modo a noite de hoje. Me aproximo interropendo as entrevistas e o chamo como se o conhecesse há muito tempo:
- Agostino, pare com tudo isso! Você tem algo urgente para resolver - pego sua mão suada e ele me segue até a saída do vestiário, subimos as escadas, eu em sua frente, e ele observa calmamente minhas nádegas. Soltamos as mãos. Chegamos a uma sauna recoberta de papel alumínio que reflete tantas vezes seu corpo e o meu que me excita...ele percebe: nos olhamos ardentemente e nos agarramos, perro! Em lapsos de segundos estamos ambos numa jacuzzi. Ainda faltam quatro horas para a meia noite, temos que ir com calma.
- Faça-me uma massagem e fumaremos ópio.
No teto ainda nos vejo junto à luz elétrica. Agostino há de gostar disto porque traga com voracidade este instrumento afrodisíaco que nos levará ao êxtase profundo. É tão incontrolável a vontade e tão grande a expectativa, mas não podemos nos possuirmos ainda, apesar de estarmos cativos a isso.
Quebec, meu pobre Agostino, está longe - só conheço histórias desse lugar paranormal, mas podemos nos encontrar lá, algum dia, com certeza, por que não? Afinal, somos cheios de afinidades.
Meu quimono é branco, mas reluz furta cor nessa luz artificial, porque há fios coloridos no meio, aleatoreamente, como mágica. Andaluz, sinuoso, gracioso, impactante. Ato suicida? Quem suscita isso à minha mente? Se ouve mesmo o barulho do mar daqui desse ginásio, dentro da sauna desligada, está tudo perfeito na jacuzzi, mas ele me excita demais.
- Haha, me conte de novo sobre a luta na Guatemala.
Gala nas suas palavras, mas não sei porque algo em sua voz começa a me irritar profundamente, e quando falo minha voz sai diferente, muito mais grossa do que o normal, que era o que deveria sair agora. Ele se assusta. Afinal, sou uma boneca.
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.
....continua!...

3 comentários:

Patrícia Colmenero disse...

Ah! adorei o texto! É de um humor ao mesmo tempo brando e catatônico!
Beijos

Mauricio Telles disse...

nossa...isso daria uma HQ interessante sim viu...
ce escreve bem pra caralio moça!!
ó meu email de novo
dubstyle_420@hotmail.com

bjuxxx

Mauricio Telles disse...

*voces escrevem mto bem...^^;