domingo, 15 de julho de 2007

é claro que a unica verdade é que

Certamente que este amor não existe.
Eis que cedenta de teu gosto, desfruto o gosto algum de qualquer corpo.
Percebo, no entanto, que coloriram a pintura em preto e branco,
E que há a cor há de sumir.
És tão vulnerável a rotina climática que se expõe,
Do sol, dos ventos, das multidões.
Das meninas, tão jovens, que o notam solitário, quadro. Fincado sobre a parede de madeira corrumpida de traças, e tantos outros insetos, sem qualquer troço por perto. Sem nada.
Ora, mas os meninos também o veem. Porém, são tuas cores que os encantam, jamais seus finos traços, em vão, penso que talvez não os enchergam, talvez o temam, tão preto... tão branco... Tão calmo, rígido, angustiado, precisando tanto delas... Belas cores.
És tão vulnerável! Moldura torturante. Cadê sua liberdade? Não tens! Não há. Certamente que odeia este formato quadrado em que se encontra; tão simples, tão morta. Nem meninas nem meninos para apreciá-la; penso que te entendo. As vezes.
Volto a pensar que este amor não existe.
Se faz tão belo, eterno, carente de nossos braços.
Lindo laço este, não é ? Mas não há nó que não se afroxe, meu bem.
Então como podes? Não existe!
Sinto as vezes apertando, tomando forma de nó bem dado, até me iludo e penso que poderia perder sua vulnerabilidade mediante a força que o apertamos, que foi toda a que tivemos, toda a que encontramos.
Mas como poderia ? Se existe morte, existe vida, se existe laço, então laceia, e então solto: tão preto, tão branco, vai a procura de um vermelho.
Escarlate, sangue.
Escorre e seca.
Fecha a ferida.
Certamente que este amor não existe.

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